A Ford divulgou nesta terça-feira (17) detalhes de sua estratégia para colocar no mercado, no próximo ano, uma picape elétrica com preço inicial de US$ 30 000, valor cerca de US$ 20 000 abaixo do ticket médio de um veículo novo nos Estados Unidos. A meta é enfrentar a concorrência chinesa sem corroer as margens de lucro.
Nova plataforma e mudança cultural
O projeto, conduzido por um time “skunkworks” liderado por Alan Clarke — engenheiro que passou 12 anos na Tesla — gira em torno da plataforma universal de veículos elétricos (UEV). Trata-se do primeiro modelo da Ford concebido totalmente do zero, diferentemente do Mustang Mach-E e da F-150 Lightning, que aproveitaram infraestrutura já existente.
A UEV prevê peças de alumínio fundidas em peça única (“unicastings”) e baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) com tecnologia licenciada da chinesa CATL. O primeiro veículo será uma picape média, mas a arquitetura também poderá sustentar sedã, crossover, SUV de três fileiras e vans comerciais.
Foco em eficiência
Para atingir o preço-alvo, o time — hoje com cerca de 450 pessoas em Long Beach (Califórnia) e 200 em Palo Alto — adotou um programa de recompensas internas. Cada componente recebeu metas numéricas de peso, arrasto e custo. Se uma peça mais cara reduzisse massa e, consequentemente, o tamanho da bateria, era aprovada.
Um exemplo é o espelho retrovisor elétrico rebatível, item considerado premium em muitos veículos. A Ford manteve o recurso de série, mas utilizou apenas um motor para ajuste e recolhimento, diminuindo custo e arrasto aerodinâmico.
Engenheiros de Fórmula 1 e protótipos “Lego”
Ex-engenheiros de equipes de Fórmula 1 trabalharam lado a lado com o departamento de design. Protótipos construídos com milhares de peças impressas em 3D, trocáveis em minutos, passaram por túneis de vento desde as fases iniciais. Segundo a montadora, o resultado é uma picape 15% mais eficiente aerodinamicamente que qualquer outra disponível hoje.
Bateria menor e mais alcance
Como o pacote ficou mais leve, a Ford pôde reduzir o tamanho da bateria — componente que responde por até 40% do custo de um elétrico — sem sacrificar desempenho. A companhia projeta autonomia 15% maior, o equivalente a cerca de 80 km adicionais em relação a uma picape a gasolina comparável.

Imagem: Internet
Arquitetura elétrica simplificada
Inspirada na Tesla, a fabricante migrará parte dos sistemas de 12 V para 48 V e adotará arquitetura zonal com apenas cinco módulos eletrônicos, contra dezenas de unidades de controle tradicionais. O chicote elétrico ficou 1,2 km mais curto e 10 kg mais leve que o de veículos elétricos de primeira geração da marca.
Um módulo único gerencia distribuição de energia, bateria e ainda fornece corrente alternada para abastecer uma casa durante quedas de energia. Todo o software, até a camada de aplicação, foi desenvolvido internamente, permitindo maior integração entre sensores e funções do veículo.
Contexto financeiro
A ofensiva nos elétricos acessíveis ocorre após a Ford registrar perda de US$ 19,5 bilhões em dezembro e encerrar a produção da F-150 Lightning. Em agosto passado, a companhia já havia anunciado investimento de US$ 2 bilhões na fábrica de Louisville (EUA) para adotar um novo sistema produtivo capaz de acelerar a montagem em 15%.
Combinando novos métodos de fabricação, talentos vindos da Fórmula 1 e um agressivo programa de recompensas, a Ford espera entregar a picape elétrica de US$ 30 000 dentro do cronograma e recuperar terreno no mercado global de veículos movidos a bateria.
Com informações de TechCrunch







