Filmes plásticos com nanopilares inativam 94% de vírus em uma hora sem químicos

Uma equipe internacional liderada pela RMIT University, na Austrália, desenvolveu filmes plásticos flexíveis cobertos por nanopilares capazes de reduzir em 94% a infectividade do vírus parainfluenza humano tipo 3 (hPIV-3) em apenas uma hora, dispensando qualquer agente químico. O estudo foi publicado em 15 de fevereiro de 2026 na revista Advanced Science.

Como funciona

Os pesquisadores replicaram em acrílico o efeito “mecano-bactericida” observado em asas de insetos. Quando a partícula viral pousa sobre a superfície, seu envelope lipídico se estica entre vários pilares e se rompe sob tensão mecânica superior a 10 MPa, eliminando a capacidade de infecção.

Produção em escala

As estruturas são gravadas por litografia nanoimpressa ultravioleta usando moldes de óxido de alumínio anodizado. O processo, já compatível com linhas roll-to-roll da indústria de embalagens plásticas, gera filmes transparentes, maleáveis e quimicamente idênticos ao acrílico comum.

Geometria decisiva

Foram testados espaçamentos (pitch) de 60, 100 e 200 nm, em alturas variadas de 45 a 200 nm. O arranjo mais denso, a 60 nm, apresentou os melhores resultados, atingindo redução máxima de 1,2 log (aprox. 16 vezes menos partículas infecciosas). Análise estatística apontou o espaçamento — e não a altura — como fator principal de eficácia.

Evidências microscópicas e simulações

Imagens de microscopia eletrônica mostraram vírus deformados e colapsados entre os pilares. Simulações pelo método dos elementos finitos confirmaram que múltiplos pilares, agindo em conjunto, geram a tensão necessária para romper o envelope viral. O modelo indica que um pitch entre 20% e 50% do diâmetro do vírus otimiza a destruição mecânica.

Filmes plásticos com nanopilares inativam 94% de vírus em uma hora sem químicos - Imagem do artigo original

Imagem: Nanowerk https

Ação dupla e durabilidade

Além do hPIV-3, o filme também matou as bactérias Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. Como não há liberação de substâncias ativas, o desempenho não se degrada com o tempo e não favorece resistência microbiana.

Os autores destacam a aplicação potencial em hospitais, eletrônicos, embalagens alimentícias e outros locais onde a contaminação por contato é crítica.

Com informações de Nanowerk

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