Um estudo divulgado na Harvard Business Review sugere que os trabalhadores que mais adotam ferramentas de inteligência artificial estão entre os primeiros a relatar sintomas de esgotamento profissional. A pesquisa, conduzida por acadêmicos da Universidade da Califórnia em Berkeley, acompanhou durante oito meses o dia a dia de uma empresa de tecnologia com 200 funcionários.
Mais tarefas no mesmo tempo
Os pesquisadores realizaram mais de 40 entrevistas e observaram que, embora ninguém tivesse recebido metas adicionais, muitos empregados passaram a assumir novas responsabilidades apenas porque as soluções de IA tornavam essas tarefas “possíveis”. Como resultado, o trabalho invadiu horários de almoço e noites.
“Você pensa que, por ser mais produtivo com IA, vai economizar tempo e trabalhar menos. Na prática, trabalha o mesmo tanto ou até mais”, relatou um engenheiro ouvida pela equipe.
Pressão informal
Em fóruns do setor, como o Hacker News, profissionais relatam experiência semelhante. Um participante afirmou que, após a adoção total de IA por sua equipe, as expectativas e o nível de estresse triplicaram, enquanto a produtividade real subiu apenas cerca de 10%.
Outros levantamentos
Resultados parecidos já haviam sido registrados em estudos anteriores. Um ensaio conduzido no verão de 2025 mostrou que desenvolvedores experientes que utilizavam IA demoraram 19% mais para concluir tarefas, embora acreditassem estar 20% mais rápidos. Já uma análise do National Bureau of Economic Research, que acompanhou milhares de empresas, apontou ganho médio de apenas 3% em economia de tempo, sem impacto significativo em salários ou carga horária.

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Os autores do novo trabalho concluem que, ao ampliar a capacidade individual, a IA pode, paradoxalmente, transformar as organizações em ambientes propensos ao excesso de trabalho e ao esgotamento, à medida que crescem as expectativas de rapidez e disponibilidade.
Com informações de TechCrunch







