Curativo injetável com nanocompósito reduz em 70% o tempo de sangramento em traumas internos

College Station (EUA), 18 de fevereiro de 2026 – Pesquisadores do Departamento de Engenharia Biomédica da Texas A&M University desenvolveram curativos hemostáticos injetáveis que aceleram a formação de coágulos e cortam o tempo de sangramento em modelos de hemorragia interna não compressível.

A equipe, liderada pelo professor Dr. Akhilesh Gaharwar e pelos colegas Dr. Duncan Maitland e Dr. Taylor Ware, integrou nanosilicatos derivados de argila a materiais com memória de forma, criando duas versões do curativo: uma espuma expansível e microfitas (ribbons) que se enrolam após a aplicação.

Como funciona

Os nanosilicatos são partículas de silicato conhecidas por acelerar a coagulação. Misturados a uma espuma estável no aplicador, eles reagem ao calor corporal ao serem injetados na lesão, expandindo-se para preencher todo o espaço e selar vasos rompidos. Já as microfitas, compostas por duas camadas de polímeros, contraem-se de um lado quando expostas à temperatura do corpo, enrolando-se e se entrelaçando até formar uma estrutura semelhante a espuma.

Resultados

Ensaios descritos em dois artigos – um na revista Advanced Science (“Expandable Nanocomposite Shape-Memory Hemostat for the Treatment of Noncompressible Hemorrhage”) e outro em Advanced Functional Materials (“Shape-Morphing Nanoengineered Hydrogel Ribbons as Hemostats”) – mostraram redução de quase 70% no tempo de sangramento. O sangue, que normalmente coagula em seis a sete minutos, passou a formar coágulos em um a dois minutos com o novo material.

Aplicação em campo

O objetivo é disponibilizar um dispositivo simples o suficiente para ser aplicado pela própria vítima ou por socorristas no local do acidente, sem necessidade de equipamentos especializados. Segundo Gaharwar, essa tecnologia pode estender a “hora de ouro” – intervalo crucial de uma a duas horas após o trauma – aumentando as chances de sobrevivência.

Apoio e contexto

O estudo recebeu financiamento do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e da National Science Foundation. A motivação inclui estatísticas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que apontam o trauma como terceira principal causa de morte no Texas, superando AVC, Alzheimer e diabetes, com grande parte dos óbitos ligada a sangramento descontrolado.

Se aprovados para uso em kits de primeiros socorros civis e militares, os pesquisadores estimam que os curativos possam salvar de 30% a 40% das vítimas de choque hemorrágico.

Com informações de Nanowerk

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