Pesquisadores do Institute of Science Tokyo (Japão) apresentaram um óxido perovskita que combina alta condutividade de prótons em temperaturas intermediárias com resistência química em ambientes de CO2, O2 e H2. O estudo foi publicado em 17 de fevereiro de 2026 na revista Angewandte Chemie International Edition.
O composto BaSc0,8Mo0,1W0,1O2,8 atingiu 0,01 S/cm a 193 °C e 0,10 S/cm a 330 °C, superando valores observados em cerâmicas convencionais nessa faixa de temperatura. O avanço foi obtido por uma estratégia de co-dopagem doadora, que insere molibdênio e tungstênio em um material-mãe deficiente em oxigênio (BaScO2,5).
Como funciona a inovação
A abordagem aumenta a quantidade de lacunas de oxigênio, permitindo hidratação total e, consequentemente, concentração elevada de prótons móveis. Ao mesmo tempo, a dupla dopagem reduz o fenômeno de aprisionamento de prótons perto dos átomos dopantes, baixando a energia de ativação e facilitando o transporte tridimensional dos íons no reticulado cristalino.
Impacto potencial
Segundo o coordenador do trabalho, professor Masatomo Yashima, o material supera o chamado “intervalo de Norby” – limite que impedia a coexistência de alta condutividade e estabilidade química em 200-400 °C. A descoberta pode acelerar o desenvolvimento de células a combustível cerâmicas protônicas, eletrólises a vapor e outras tecnologias de hidrogênio voltadas à descarbonização.

Imagem: Internet
Os experimentos envolveram síntese em estado sólido, medidas elétricas, difração de nêutrons e simulações computacionais para elucidar o mecanismo de condução.
Com informações de Nanowerk







