Sócio da a16z alerta fundadores: foco em ARR de US$ 100 mi antes da Série A é exagero

A busca por crescimento relâmpago está deixando empreendedores de inteligência artificial ansiosos para exibir faturamento anual recorrente (ARR, na sigla em inglês) de até US$ 100 milhões em poucos meses, mas nem todo número divulgado espelha a realidade do negócio. O alerta foi feito por Jennifer Li, sócia da Andreessen Horowitz (a16z), durante participação no podcast Equity, do TechCrunch.

ARR ≠ run rate

Li lembrou que ARR se refere ao valor anualizado de contratos de assinatura firmados, receita considerada recorrente e garantida. Muitos fundadores, porém, publicam nas redes sociais valores calculados a partir do revenue run rate — extrapolação de receitas pontuais para 12 meses. “Nem todo ARR é igual, e nem todo crescimento é igual”, afirmou.

De acordo com a executiva, um mês excepcional de vendas ou programas-piloto de curto prazo podem inflar indicadores que não se sustentam. “Faltam nuances sobre qualidade, retenção e durabilidade do negócio”, disse.

Crescimento sustentável

Segundo Li, investidores continuam apostando em expansão acelerada, mas empresas não precisam chegar a US$ 100 milhões de ARR antes da Série A. A sócia da a16z sugere buscar “crescimento sustentável”, com clientes que permanecem e aumentam seus gastos. Ela considera viável, por exemplo, escalar de US$ 1 milhão para entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões no primeiro ano e, depois, atingir entre US$ 25 milhões e US$ 50 milhões no ano seguinte. “São níveis inéditos e, com alta retenção, atraem capital”, destacou.

Casos do portfólio e desafios

Li reconheceu que algumas companhias apoiadas pela a16z — como Cursor, ElevenLabs e Fal.ai — alcançaram ARR expressivo rapidamente, mas atribuiu o resultado a bases de clientes sólidas. Ela ressaltou que a escalada traz dificuldades operacionais, sobretudo na contratação de equipes preparadas para lidar com o ritmo intenso. “Não é simples encontrar as pessoas certas”, comentou.

Sócio da a16z alerta fundadores: foco em ARR de US$ 100 mi antes da Série A é exagero - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

Entre os problemas enfrentados por empresas em hiper­crescimento, a sócia citou trocas de preços mal comunicadas, questões jurídicas, exigências de conformidade e até a necessidade de combater deepfakes em produtos de IA. “Crescer rápido é um bom problema, mas exige cautela”, concluiu.

Com informações de TechCrunch

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