Um estudo internacional liderado pela Universidade de Warwick indica que a fabricação de painéis solares de nova geração tem potencial para reduzir as emissões globais em até 8,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono até 2035.
Comparação entre tecnologias
A pesquisa, publicada na revista Nature Communications em 13 de fevereiro de 2026, analisou o ciclo de vida completo de dois tipos de células fotovoltaicas:
- PERC (Passivated Emitter Rear Cell) – padrão atual do mercado;
- TOPCon (Tunnel Oxide Passivated Contact) – arquitetura mais eficiente que vem ganhando espaço.
Segundo o trabalho, o modelo TOPCon apresenta impactos ambientais menores em 15 dos 16 indicadores avaliados, incluindo uma queda de 6,5 % nas emissões climáticas por unidade de capacidade instalada. O único revés é o maior consumo de prata, mineral considerado crítico.
Importância do local de produção
Os pesquisadores — que também contam com participação das universidades de Northumbria, Birmingham e Oxford — apontam que a origem da eletricidade usada na fabricação influencia diretamente o balanço de carbono. Produzir os módulos em regiões com matrizes de baixo teor de carbono, como a Europa, reduz substancialmente as emissões quando comparado a países dependentes de combustíveis fósseis.
Cenários de economia de carbono
Ao combinar a adoção do TOPCon, melhorias industriais e a descarbonização das redes elétricas, o segmento fotovoltaico poderia evitar até 8,2 gigatoneladas de CO₂ equivalentes no período analisado — valor correspondente a 14 % das emissões anuais globais atuais. Além disso, os sistemas instalados entre 2023 e 2035 devem impedir que mais de 25 gigatoneladas de carbono cheguem à atmosfera ao substituir a geração fóssil.

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Declarações dos autores
“A produção em escala de múltiplos terawatts exige atenção redobrada ao impacto ambiental total”, afirmou o professor Nicholas Grant, da Universidade de Warwick. Ele destaca que aperfeiçoar a cadeia de suprimentos pode evitar cerca de 25 gigatoneladas de CO₂ associadas à fabricação, sem frear a expansão da energia solar.
Para o professor Neil Beattie, da Universidade de Northumbria, o fotovoltaico continua sendo uma das formas de geração mais sustentáveis considerando todo o ciclo de vida. “Precisamos implantá-lo em grande escala agora, especialmente diante do aumento da demanda elétrica por transporte, aquecimento e infraestrutura digital”, declarou.
Com informações de Nanowerk






