Estudo prevê fluxo de calor que retorna às áreas quentes em cristais altamente ordenados

13 de fevereiro de 2026

Pesquisadores da Escola de Engenharia da EPFL, na Suíça, demonstraram teoricamente que o calor pode dirigir-se de regiões mais frias para áreas mais quentes em materiais extremamente ordenados, sem violar a segunda lei da termodinâmica. A equipe, liderada por Nicola Marzari, usou simulações e um modelo analítico para explicar e maximizar esse comportamento em uma faixa bidimensional de grafite cristalino.

Como o fenômeno ocorre

Em sólidos comuns, o calor se propaga por meio de fônons — quase-partículas que representam vibrações atômicas. Normalmente, as colisões entre fônons dispersam a energia de forma difusa. Em cristais muito puros, porém, essas colisões podem gerar um fluxo direcional semelhante a um fluido, chamado hidrodinâmica de fônons.

Segundo o primeiro autor Enrico Di Lucente, atualmente pós-doutorando na Universidade Columbia, o novo quadro analítico mostra que o perfil de temperatura em regime hidrodinâmico divide-se em dois componentes: vorticidade (giro do fluxo) e compressibilidade (capacidade de ser comprimido). O calor retorna mais fortemente às zonas quentes quando a compressibilidade é mínima, isto é, quando o fluxo se comporta como incompressível e não pode ser “espremido” ao encontrar resistência.

Resultados das simulações

As simulações revelaram vórtices de calor em um canal de grafite, produzindo uma diferença de temperatura negativa e resistência térmica global também negativa — sinal de que parte da energia percorre o caminho inverso ao convencional. A pesquisa foi publicada na revista Physical Review Letters sob o título “Vortices and Backflow in Hydrodynamic Heat Transport”.

Estudo prevê fluxo de calor que retorna às áreas quentes em cristais altamente ordenados - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Aplicações potenciais

O entendimento obtido pode orientar o desenvolvimento de eletrônicos capazes de redirecionar calor internamente e reduzir perdas energéticas. Entre os exemplos sugeridos estão dispositivos móveis com componentes hidrodinâmicos que afastem a energia térmica da bateria, evitando superaquecimento. Os autores destacam ainda possíveis impactos em setores como armazenamento de energia, data centers, computação em nuvem e indústria.

Marzari observa que a formulação criada pode ser aplicada a outros portadores microscópicos, como elétrons, e que as simulações de primeiros princípios oferecem previsões rápidas e econômicas para orientar experimentos.

Com informações de Nanowerk

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