Novo método promete encontrar pares ocultos de buracos negros supermassivos

12 de fevereiro de 2026 — Pesquisadores da Universidade de Oxford e do Instituto Max Planck de Física Gravitacional (Instituto Albert Einstein) apresentaram uma estratégia inédita para identificar binárias de buracos negros supermassivos extremamente próximas, sistemas que até agora permanecem praticamente invisíveis aos telescópios.

O trabalho, publicado na revista Physical Review Letters sob o título “Black Holes as Telescopes: Discovering Supermassive Binaries through Quasiperiodic Lensed Starlight”, propõe monitorar breves e repetidos flashes de luz emitidos por estrelas localizadas atrás dos buracos negros. Esses surtos luminosos seriam intensificados pelo efeito de lente gravitacional produzido pelo par em órbita.

Como funciona a detecção

Quando uma única estrela se alinha com um buraco negro, a forte curvatura do espaço-tempo pode concentrar a luz em imagens excepcionalmente brilhantes. No caso de dois buracos negros supermassivos ligados gravitacionalmente, o fenômeno é amplificado: cada objeto atua como lente, formando uma estrutura em forma de losango — a chamada curva cáustica — que varre um grande número de estrelas no plano de fundo.

À medida que a binária perde energia por emissão de ondas gravitacionais, sua órbita encolhe e acelera. Esse movimento faz a curva cáustica girar, produzindo flashes sucessivos toda vez que cruza o disco de uma estrela brilhante. Segundo os autores, a cadência e a intensidade desses pulsos seguem um padrão específico, permitindo extrair massas, separação e evolução orbital do sistema.

Chance aumentada de observação

“Os buracos negros supermassivos funcionam como telescópios naturais”, explicou o Dr. Miguel Zumalacárregui, do Instituto Max Planck. “Graças à enorme massa e ao tamanho compacto, eles dobram a luz de modo excepcionalmente forte.”

Para o professor Bence Kocsis, do Departamento de Física de Oxford, a probabilidade de amplificação extrema de luz cresce “enormemente” em binárias, em comparação com buracos negros isolados. O estudo foi liderado pelo doutorando Hanxi Wang, integrante do grupo do professor Kocsis.

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Imagem: Internet

Próximas etapas

Com a entrada em operação de levantamentos de grande campo, como o Observatório Vera C. Rubin e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, os cientistas acreditam que as explosões luminosas periódicas poderão ser registradas nos próximos anos.

“Encontrar binárias em espiral antes mesmo de detectores espaciais de ondas gravitacionais estarem ativos é extremamente empolgante”, afirmou Kocsis, destacando o potencial para estudos multimensageiros de buracos negros.

Com informações de Nanowerk

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