Investidores dos EUA ampliam processo contra governo sul-coreano por atuação no caso de vazamento de dados da Coupang

Seul – Três grandes fundos norte-americanos se juntaram à disputa judicial já movida por outros investidores dos Estados Unidos contra o governo da Coreia do Sul, acusando o país de conduta discriminatória na investigação do megavazamento de dados da Coupang.

Nova adesão ao litígio

Abrams Capital, Durable Capital Partners e Foxhaven Asset Management notificaram o Ministério da Justiça sul-coreano sobre a intenção de iniciar um procedimento de arbitragem internacional com base no acordo de livre-comércio entre EUA e Coreia (FTA). O anúncio, feito nesta quinta-feira (12), reforça a ação iniciada em 23 de janeiro de 2026 por Greenoaks e Altimeter, que também pedem indenização via mecanismo ISDS (Investor-State Dispute Settlement).

Os cinco fundos afirmam ter tido prejuízos decorrentes de “tratamento injusto” dado ao marketplace, cuja sede global fica em Seattle, apesar de concentrar operações em Coreia do Sul, Taiwan e Japão.

O vazamento de dados

Em dezembro de 2025, a Coupang revelou que informações pessoais de quase 34 milhões de clientes sul-coreanos ficaram expostas por mais de cinco meses. Entre os dados comprometidos estavam nomes, e-mails, telefones, endereços de entrega e parte do histórico de compras.

A Comissão de Proteção de Informações Pessoais (PIPC) apontou mais de 30 milhões de contas afetadas. Já os investidores alegam que apenas cerca de 3.000 registros foram efetivamente copiados.

Pressão governamental e ameaça de multas

Segundo os fundos, o governo sul-coreano ameaçou impor multas bilionárias, suspender atividades da empresa e até restringir viagens de executivos, além de dificultar a comunicação pública da Coupang sobre o caso. A legislação atual limita a penalidade a 3% do faturamento – mais de US$ 800 milhões para a companhia –, mas parlamentares discutem elevar o teto a 10% e aplicá-lo retroativamente.

Embora eventual mudança não alcance o incidente, um deputado do Partido Democrata sugeriu multas punitivas específicas, ideia apoiada pela PIPC. O presidente Lee Jae-myung também defendeu sanções severas.

Acusações de tratamento desigual

No aviso de intenção protocolado, os investidores chamam a intervenção estatal de “ataque sem precedentes” a uma empresa norte-americana e afirmam que, se não houver recuo, vão buscar “bilhões de dólares” em ressarcimento. Eles citam casos recentes no país, como KakaoPay, SK Telecom, Upbit e AliExpress, que teriam recebido punições mais brandas apesar de falhas semelhantes.

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Imagem: Internet

Origem do ataque e resposta da empresa

O Ministério da Ciência e TIC apontou que um ex-funcionário, conhecedor de vulnerabilidades nos sistemas de autenticação e gestão de chaves, executou o roubo de dados. A pasta acusa a Coupang de não informar o incidente à Agência de Internet e Segurança da Coreia (KISA) em até 24 horas nem preservar logs determinados por ordem de novembro de 2025. A companhia deve apresentar plano de prevenção até fevereiro, sob monitoramento até julho.

A Coupang declarou que o ex-empregado, de nacionalidade chinesa, acessou dados de mais de 33 milhões de contas, mas reteve apenas cerca de 3.000. Segundo a empresa, não houve exposição de informações sensíveis como pagamentos, senhas ou números de documentos.

Em meio à crise, o conselho substituiu o CEO Dae-jun Park por Harold Rogers, principal advogado da controladora norte-americana, em dezembro.

Impacto nas relações bilaterais

Para Adam Farrar, analista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) e da Bloomberg, o caso já extrapola a segurança de dados, reforçando queixas de Washington sobre tratamento desigual a empresas dos EUA e elevando tensões comerciais. Ele menciona debates sobre taxas de uso de rede impostas a plataformas como Netflix, regras de pagamento em lojas de aplicativos e exigências de localização de dados que afetam serviços como o Google Maps.

O Ministério da Justiça sul-coreano analisa a notificação. O FTA estabelece um período obrigatório de 90 dias de consultas antes que a arbitragem seja formalmente iniciada.

Com informações de TechCrunch

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