Ângulo de torção em camadas 2D cria texturas magnéticas gigantes

11 de fevereiro de 2026

Pesquisadores demonstraram que ajustar o ângulo de torção entre camadas antiferromagnéticas ultrafinas pode gerar texturas de skyrmions com centenas de nanômetros de extensão, muito maiores que a célula moiré formada pelo empilhamento dos cristais. O resultado, descrito na revista Nature Nanotechnology, redefine a forma como se compreende a influência da geometria em materiais bidimensionais.

O estudo analisou duplos bilayers torcidos de triiodeto de cromo (CrI₃) com microscopia de magnetometria baseada em defeitos de centro-N (nitrogen-vacancy). As imagens revelaram padrões magnéticos que se estendem por cerca de 300 nm—uma ordem de magnitude acima do comprimento de onda moiré previsto para a estrutura.

Comportamento inesperado

À medida que o ângulo de torção diminui, a rede moiré teoricamente deveria aumentar, mas os pesquisadores observaram o efeito oposto: as texturas magnéticas atingiram seu tamanho máximo em torno de 1,1° e desapareceram perto de 2°. A equipe concluiu que a configuração não é apenas moldada pela interferência das redes atômicas, e sim pelo equilíbrio coletivo entre troca magnética, anisotropia e interações de Dzyaloshinskii-Moriya, moduladas pela rotação relativa das camadas.

Simulações de dinâmica de spins confirmaram a formação de skyrmions antiferromagnéticos do tipo Néel que se estendem por várias células moiré. Essas estruturas são topologicamente protegidas, podem ser movidas com baixo consumo de energia e despertam interesse para aplicações em spintrônica.

Ângulo de torção em camadas 2D cria texturas magnéticas gigantes - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Potencial para dispositivos

Segundo o físico teórico Dr. Elton Santos, da Universidade de Edimburgo, que coordenou a modelagem, a descoberta mostra que “torcer” não é apenas um ajuste eletrônico, mas também magnético, permitindo projetar estados topológicos controlando apenas o ângulo de empilhamento.

A possibilidade de gerar skyrmions robustos sem litografia, camadas pesadas ou correntes intensas oferece uma rota geométrica para arquiteturas de baixo consumo, reforçando a ideia de que a engenharia de torção pode atuar em múltiplas escalas — do alinhamento atômico à topologia mesoscópica.

Com informações de Nanowerk

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