Nanoplásticos prejudicam capacidades cognitivas de peixes, aponta pesquisa internacional

11 de fevereiro de 2026 — A exposição a nanoplásticos compromete a cognição de peixes e pode ameaçar sua sobrevivência nos oceanos, concluiu um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Shantou, da Academia Chinesa de Ciências da Pesca (Guangdong) e do Research Institute for Northern Agriculture (RINA), da Charles Darwin University.

Os resultados, divulgados na revista Marine Pollution Bulletin, avaliaram o peixe-medaka-marinho (Oryzias melastigma) após contato com nanoplásticos esféricos de poliestireno. Os animais expostos foram comparados a um grupo controle ao percorrer um labirinto.

Mais erros e decisões impulsivas

O tempo total para completar o labirinto não diferiu entre os grupos; entretanto, os peixes que tiveram contato com nanoplásticos cometeram mais erros e tomaram decisões de forma significativamente mais rápida. Para o professor Sunil Kadri, do RINA, esse padrão indica um comportamento impulsivo que pode levar a escolhas equivocadas durante a alimentação ou diante de predadores.

“Capturar alimento, evitar predadores e reproduzir são fundamentais para qualquer espécie. Alterações de comportamento podem dificultar essas três tarefas essenciais”, afirmou Kadri.

Problema crescente nos ecossistemas marinhos

Estudos ambientais estimam que de 80% a 85% do lixo presente nos mares é composto por plástico. Com a ação da luz ultravioleta e de baixas temperaturas, esses materiais se decompõem em partículas cada vez menores, chegando à escala nano.

Nanoplásticos prejudicam capacidades cognitivas de peixes, aponta pesquisa internacional - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Coautor do trabalho, o pesquisador Zonghang Zhang, da Universidade de Shantou, destacou que o tamanho reduzido amplia o risco: “Os nanoplásticos são mais biodisponíveis e conseguem penetrar em órgãos e células de maneira que partículas maiores não conseguem. Mesmo sem causar danos físicos visíveis, eles podem desestabilizar comportamentos essenciais, tornando os peixes mais vulneráveis em seus habitats naturais”.

Segundo os autores, embora a exposição usada no experimento não reproduza exatamente as condições ambientais, os achados reforçam a necessidade de políticas mais rigorosas para conter a poluição plástica, além de medidas voltadas à conservação de ecossistemas e estoques pesqueiros.

Com informações de Nanowerk

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