Firewatch completa 10 anos enquanto gênero dos “walking simulators” perde fôlego

São Francisco (EUA) – Lançado em 9 de fevereiro de 2016, Firewatch celebrou dez anos de existência no último domingo (9). O título do estúdio Campo Santo foi um dos responsáveis por popularizar o chamado “walking simulator”, mas o aniversário acontece em meio a um momento de baixa visibilidade para o gênero.

Ascensão rápida

O formato ganhou corpo a partir de 2012, com Dear Esther, e ganhou projeção mundial após Gone Home (2013). A chama se intensificou com obras como Firewatch e What Remains of Edith Finch (2017), que combinaram produção visual sofisticada, narrativa em primeira pessoa e ausência de combates ou quebra-cabeças elaborados.

Entre 2013 e 2016, o The Game Awards indicou diversos jogos do estilo: Firewatch recebeu cinco indicações, Edith Finch levou três nomeações e uma vitória, Sunset concorreu em Games for Impact e The Vanishing of Ethan Carter disputou Melhor Jogo Independente. Nos anos 2020, apenas Despelote foi lembrado, com duas indicações.

Estúdios dispersos

Muitos dos desenvolvedores que definiram o gênero mudaram de rumo:

  • Campo Santo – comprada pela Valve em 2018; o projeto In the Valley of Gods segue suspenso, com data provisória para dezembro de 2029. Parte da equipe colaborou em Half-Life: Alyx.
  • Fullbright – dividido após denúncias contra o cofundador Steve Gaynor. O sucessor espiritual Open Roads saiu em 2024 com recepção moderada. Gaynor manteve a marca e lançou Toilet Spiders (2024); o próximo jogo, Springs, Eternal, retoma a exploração narrativa.
  • Giant Sparrow – nove anos depois de Edith Finch, o estúdio fala pouco sobre seu próximo projeto, planejando ampliar a equipe apenas em meados de 2026.
  • Davey Wreden – após The Beginner’s Guide (2015), publicou pequenos títulos no itch.io e, em 2024, o “cozy game” Wanderstop.
  • Brendon Chung – criador de Thirty Flights of Loving, lançou o imersive sim Skin Deep, reinserindo mecânicas mais tradicionais.
  • The Chinese Room – segue ativo com aventuras de terror, como Amnesia: A Machine for Pigs e Still Wakes the Deep, combinando narrativa em primeira pessoa a elementos de horror.

Mercado menos receptivo

A década atual registra cortes de pessoal em larga escala e um mercado indie saturado. Jogos independentes de maior destaque, como Balatro, Vampire Survivors e Megabonk, apostam em forte profundidade mecânica e visual retrô, caminho oposto ao alto valor de produção e baixa interação típica dos walking sims.

Ao completar uma década, Firewatch permanece como referência de narrativa intimista em videogames. Entretanto, a combinação de estúdios dispersos e cenário industrial instável faz com que o gênero aguarde novos representantes de igual impacto.

Com informações de GameSpot

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