Um trabalho publicado em 10 de fevereiro de 2026 na revista Nature Communications indica que a adoção de tecnologias de próxima geração e o uso de eletricidade mais limpa na fabricação de painéis solares de silício podem reduzir em até 8,2 gigatoneladas as emissões globais de dióxido de carbono até 2035. O valor equivale a cerca de 6,3% do orçamento de carbono restante para limitar o aquecimento global a 1,5 °C, meta prevista no Acordo de Paris.
A pesquisa, intitulada “Maximising environmental savings from silicon photovoltaics manufacturing to 2035”, foi conduzida por cientistas da Northumbria University e das universidades de Birmingham, Oxford e Warwick, no Reino Unido. O grupo aplicou a metodologia de avaliação de ciclo de vida para medir impactos ambientais desde a extração das matérias-primas até a produção dos painéis de silício que devem dominar o mercado na próxima década.
Influência da matriz elétrica na fábrica
Segundo a primeira autora, a doutoranda Bethany Willis, a composição da energia usada nas linhas de produção é o fator que mais pesa nos resultados. “Decarbonizar as matrizes elétricas onde os módulos são fabricados é essencial para ampliar os ganhos ambientais”, reforçou o professor Neil Beattie, da Northumbria, que coordenou o estudo.
A equipe calculou ainda que, se instalados até 2035, os novos painéis poderão evitar pelo menos 25 gigatoneladas de CO₂ em menos da metade de sua vida útil quando comparados a fontes convencionais de geração elétrica.
Benefícios e alertas
Além das emissões de carbono, foram avaliadas outras 15 categorias de impacto ambiental. Os autores observam que células de maior eficiência reduzem o impacto climático em 6,5%, mas elevam em 15,2% o risco de esgotamento de minerais críticos, devido ao maior uso de prata nos contatos elétricos. O resultado estimula a busca por materiais alternativos, como o cobre, para evitar a transferência de problemas de uma categoria ambiental para outra.

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Para o professor John Murphy, da Universidade de Birmingham, o levantamento oferece subsídios para toda a cadeia de suprimentos fotovoltaica, desde a matéria-prima até o fim de vida dos módulos. Já Sebastian Bonilla, da Universidade de Oxford, destaca que o trabalho ajuda a orientar a escolha de tecnologias e locais de produção que maximizem os benefícios da eletricidade verde em escala de terawatts.
Mesmo considerando os impactos de fabricação, a pesquisa conclui que a energia solar permanece entre as opções de geração mais sustentáveis durante todo o ciclo de vida, reforçando a urgência de sua expansão em larga escala.
Com informações de Nanowerk






