Uma equipe liderada pela Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego) utilizou dados do James Webb Space Telescope (JWST) para analisar a atmosfera dos planetas do sistema HR 8799, a cerca de 133 anos-luz, na constelação de Pégaso. O estudo, publicado em 9 de fevereiro de 2026 na revista Nature Astronomy, identificou enxofre nas camadas gasosas desses corpos celestes e ofereceu novas pistas sobre como objetos tão massivos se formam.
Quatro mundos maiores que Júpiter
HR 8799 abriga quatro gigantes gasosos com massas entre cinco e dez vezes a de Júpiter. Eles orbitam a estrela a distâncias de 15 a 70 unidades astronômicas (UA) — a órbita mais interna é 15 vezes mais distante do que a separação da Terra em relação ao Sol. O conjunto lembra uma versão ampliada do nosso Sistema Solar, que também possui quatro planetas externos, de Júpiter a Netuno.
Formação por acreção de núcleo
A presença de enxofre, elemento considerado refratário porque só é incorporado a sólidos no disco protoplanetário, aponta para a formação por acreção de núcleo. Nesse processo, um embrião rochoso e gelado atrai material até se tornar grande o bastante para capturar hidrogênio e hélio — o mesmo caminho trilhado por Júpiter e Saturno. A hipótese alternativa, a instabilidade gravitacional, prevê que parte do disco colapse rapidamente para originar objetos semelhantes a anãs-marrons, sem necessidade de um núcleo sólido.
Observações além do previsto
Os planetas de HR 8799, com apenas cerca de 30 milhões de anos, ainda estão quentes e brilhantes, o que facilita a análise espectroscópica. Mesmo assim, eles são 10 000 vezes mais tênues que a estrela central e o espectrógrafo do JWST não foi desenhado para esse grau de contraste. O pesquisador Jean-Baptiste Ruffio, da UC San Diego, desenvolveu métodos específicos para extrair o sinal fraco dos planetas. Já Jerry Xuan, bolsista 51 Pegasi b na UCLA, refinou modelos atmosféricos para comparar com os dados do telescópio.
A equipe detectou hidrogênio sulfeto (H2S) com clareza no planeta HR 8799 c e acredita que o composto esteja presente também nos outros dois mundos internos. Além disso, os quatro planetas exibem enriquecimento em elementos pesados, como carbono e oxigênio, quando comparados à estrela hospedeira — outro indício da acreção de material sólido durante a formação.

Imagem: Internet
Limites entre planetas e anãs-marrons
Apesar dos avanços, continua em aberto a questão sobre quão massivo um planeta pode ser antes de se encaixar na categoria de anã-marrom. “Será que um planeta pode chegar a 15, 20 ou 30 vezes a massa de Júpiter e ainda se formar como planeta?”, questiona Ruffio. Para responder, os cientistas pretendem aplicar as novas técnicas a outros sistemas com companheiros ainda mais massivos.
O trabalho mostra que modelos antigos de formação planetária precisam ser revisados para explicar a existência de gigantes gasosos distantes de suas estrelas, afirmam os autores.
Com informações de Nanowerk







