A startup norte-americana Fable voltou aos holofotes após vir a público, em 2025, com a proposta de reconstruir 43 minutos perdidos de “The Magnificent Ambersons”, clássico de Orson Welles de 1942. Um perfil publicado nesta semana pela revista The New Yorker trouxe novos detalhes do projeto, liderado pelo fundador da empresa, Edward Saatchi.
Quem: Edward Saatchi, filho de um dos fundadores da agência Saatchi & Saatchi, comanda a Fable. O cineasta Brian Rose, que já vinha tentando recriar o material há anos por meio de animações, colabora com a iniciativa. O ator e biógrafo Simon Callow concordou em atuar como consultor.
O que: a empresa pretende filmar novas cenas em live-action e, depois, sobrepor rostos e vozes digitais dos atores originais — entre eles Joseph Cotten — para aproximar-se da montagem desejada por Welles antes de a RKO cortar quase três quartos de hora do longa e destruir o material descartado.
Quando e onde: o trabalho está em desenvolvimento nos Estados Unidos desde o anúncio feito no outono de 2025. As negociações por direitos ocorrem paralelamente com a Warner Bros. (dona do filme) e com o espólio de Welles.
Como: a recriação usa modelos de inteligência artificial generativa treinados para reproduzir atores, iluminação e a estética de sombras típica de Welles. Entre os obstáculos citados estão erros visuais — como um Joseph Cotten com duas cabeças — e o chamado “problema da felicidade”, em que o algoritmo exibe expressões alegres demais para personagens femininas.
Por quê: Saatchi descreve o projeto como a “busca pelo Santo Graal do cinema perdido” e afirma ter sido impactado pelo filme aos 12 anos. Para ele, “intuitivamente, deve haver um jeito de desfazer o que aconteceu” após a sessão-teste que levou ao corte do estúdio no início dos anos 1940.

Imagem: Getty
Reações divididas
A filha de Welles, Beatrice Welles, disse à The New Yorker que continua cética, mas reconhece “enorme respeito” pela obra do pai. Já Melissa Galt, filha da atriz Anne Baxter, declarou que a mãe “jamais aprovaria” a iniciativa: “Não é a verdade. É a criação da verdade de outra pessoa”.
Apesar do apoio de Callow, muitos críticos veem a empreitada como um experimento de valor apenas “novelístico”. Até o momento, a Fable não divulgou qualquer trecho finalizado; apenas animações prévias de Rose e imagens estáticas dos atores gerados por IA foram exibidas.
A liberação pública do material depende de acordos legais ainda em discussão. Saatchi admitiu que foi “um erro total” não ter procurado o espólio de Welles antes do anúncio inicial e afirma agora trabalhar para obter todas as autorizações.
Com informações de TechCrunch







