Um debate que atravessa filosofia e ciência voltou ao centro das atenções em 7 de fevereiro de 2026: a hipótese de que todo o Universo possa ser uma sofisticada simulação de computador. A ideia ganhou força com os argumentos do filósofo Nick Bostrom e foi atualizada pelo físico Zeb Rocklin, professor associado no Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech).
Quem defende a teoria
Há vinte anos, Bostrom sugeriu que, se o avanço de videogames, realidade virtual e inteligência artificial continuar, civilizações futuras teriam capacidade de reproduzir, com extremo realismo, mundos inteiros e trilhões de seres humanos virtuais. Caso esses simulados tenham percepções idênticas às de pessoas reais, estatisticamente seria mais provável estarmos dentro de uma dessas cópias do que no “mundo original”.
O raciocínio ganhou adeptos de peso. Nomes como o astrofísico Neil deGrasse Tyson e o empresário Elon Musk já declararam acreditar em chances significativas — Tyson fala hoje em 50% — de vivermos num ambiente computacional.
Por que a hipótese intriga
Rocklin relembra que dúvidas sobre a realidade não são novas. O filósofo chinês Zhuangzi, há milênios, questionou se era um homem sonhando ser borboleta ou o oposto; Platão descreveu o mundo sensível como sombras de algo verdadeiro. A versão contemporânea dessas reflexões aponta para “falhas” que lembrariam bugs de software: objetos que mudam de lugar inesperadamente ou a sensação de já ter vivido determinada cena.
Há ainda limitações físicas que evocam analogias com telas de computador. A teoria atual não explica o que ocorre abaixo de um comprimento extremamente pequeno — muito menor que um átomo —, e nada além de cerca de 50 bilhões de anos-luz é observável, pois a luz não teve tempo de chegar desde o Big Bang. Para defensores da hipótese, isso se assemelha a não enxergar além de um pixel ou da borda do monitor.

Imagem: Internet
Céticos apontam desafios
Críticos ressaltam que o argumento de Bostrom exige simuladores “quase divinos”, nas palavras do próprio filósofo. A capacidade computacional para reproduzir um Universo inteiro, com leis físicas coerentes e seres conscientes, pode nunca se concretizar. Rocklin frisa que, embora o exercício lógico seja poderoso, nenhuma evidência experimental confirma a ideia.
Enquanto a tecnologia não responde se somos ou não personagens de um gigantesco software, a hipótese segue motivando debates sobre consciência, limites da ciência e a própria natureza da realidade.
Com informações de Nanowerk






