WASHINGTON (05/02/2026) – O jornal The Washington Post, controlado pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos, demitiu mais de 300 profissionais e encolheu substancialmente sua equipe dedicada à cobertura de tecnologia, ciência, saúde e negócios.
Redução da redação
Segundo o repórter de tecnologia Drew Harwell, a estrutura que reunia essas editorias caiu de 80 para 33 pessoas. Somente a editoria de tecnologia perdeu 14 integrantes e o escritório de São Francisco ficou praticamente vazio.
Áreas afetadas
Entre os jornalistas dispensados estavam os responsáveis por cobrir Amazon, inteligência artificial, cultura da internet e reportagens investigativas. Também foram encerradas:
- a redação esportiva completa;
- parte significativa dos núcleos internacionais, incluindo os focados em Oriente Médio, Ucrânia, Rússia, Irã e Turquia;
- a seção de livros;
- boa parte da cobertura de cultura e da região metropolitana de Washington, D.C.;
- toda a equipe que tratava de raça e etnia em âmbito nacional.
Contexto financeiro
O Post vive queda de receitas e de audiência. De acordo com o New York Times, o jornal sofreu prejuízo de US$ 100 milhões em 2024, reflexo, entre outros fatores, de cancelamentos de assinaturas após a decisão de Bezos de acabar com os endossos eleitorais do conselho editorial. Dados do site Semafor indicam que as visitas diárias caíram de 22,5 milhões em janeiro de 2021 para cerca de 3 milhões em meados de 2024.
A empresa já havia reduzido o quadro de cerca de 1.000 para menos de 800 empregados na primavera passada. Na época, o diretor-executivo Will Lewis citou o prejuízo de 2024 para justificar os cortes.
Justificativa da direção
Em reunião por Zoom, o editor-executivo Matt Murray classificou as dispensas como um “reinício” para tornar o veículo “mais essencial na vida das pessoas” e buscar lucratividade em um cenário de mídia “mais concorrido e complexo”.

Imagem: Getty
Ausência de Bezos e Lewis
Nem Bezos nem Lewis acompanharam pessoalmente o anúncio das demissões. Enquanto a redação se preparava para os cortes, Bezos visitava instalações da Blue Origin na Flórida ao lado do secretário de Defesa, Pete Hegseth. Menos de 48 horas depois, o jornal demitiu a repórter que cobria a própria Blue Origin.
Os ajustes ocorrem num momento em que a influência de gigantes da tecnologia sobre economia, política e fluxo global de informações é crescente. Bezos figura atualmente como o terceiro homem mais rico do mundo, atrás apenas de Mark Zuckerberg e Elon Musk, de acordo com a Forbes.
Não há previsão oficial de novas contratações ou de retomada das editorias afetadas.
Com informações de TechCrunch







