Ferramentas genéticas e digitais buscam proteger arroz, trigo e milho do avanço das altas temperaturas

06 de fevereiro de 2026 — Uma revisão publicada na revista Trends in Plant Science descreve como a combinação de melhoramento de precisão, edição de genoma e monitoramento digital pode gerar variedades de arroz, trigo e milho capazes de manter rendimento e qualidade em um planeta mais quente.

Impacto do calor noturno

De acordo com cientistas do International Rice Research Institute (IRRI) e do Instituto Max Planck de Fisiologia Molecular de Plantas, as temperaturas noturnas estão subindo quase duas vezes mais rápido que as diurnas. Esse aumento provoca desequilíbrio entre produção e consumo de energia pelas plantas, resultando em grãos menores e de menor qualidade.

Para garantir a segurança alimentar até 2050, os autores calculam que o ritmo de aumento de produtividade de arroz, trigo e milho precisa crescer 37 % — meta ameaçada pelo aquecimento global.

Reprogramação do relógio biológico

O estudo destaca a possibilidade de ajustar o ciclo circadiano das plantas para que o florescimento ocorra nas horas mais frescas do dia. Em arroz, o gene OsMADS51 é apontado como chave para a termotolerância nos estágios de espigamento e enchimento de grãos. Já em milho, o foco recai sobre o “complexo da tarde”, que inclui ZmELF3 e ZmLUX, reguladores da floração em diferentes latitudes.

Arquitetura da inflorescência

Outra frente envolve a remodelagem da panícula para aumentar o número de grãos. O gene DEP1, no arroz, gera panículas densas e eretas que favorecem a distribuição de luz mesmo sob calor intenso. Genes como SPIKE, GIF1, SPL14 e APO1-HI1 também ampliam o número de ramos primários e feixes vasculares, fortalecendo o transporte de sacarose até os grãos.

Edição de genoma para qualidade e produtividade

Ferramentas de edição de precisão, como o prime editing, permitiram inserir elementos de choque térmico no promotor do gene GIF1 em arroz, elevando em 10,5 % a taxa de fertilidade de sementes sob calor. Já o gene QT12 foi identificado como regulador negativo da qualidade do grão; sua inativação reduz a formação de grãos quebradiços e opacos em altas temperaturas.

Abordagem integrada

Os autores defendem um plano holístico que inclua modelagem geoespacial para mapear áreas críticas de calor em tempo real e técnicas de speed breeding para acelerar a chegada de novas cultivares ao campo. A meta é combinar inovação estrutural, temporal e molecular para manter o “celeiro de cereais” mundial produtivo e com grãos de boa qualidade, mesmo diante do aquecimento global.

Com informações de Nanowerk

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