05 de fevereiro de 2026
Um estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society propõe que o coração da Via Láctea pode ser controlado por um núcleo superdenso de matéria escura, em vez do buraco negro supermassivo geralmente associado à região de Sagitário A* (Sgr A*).
Quem assinou o trabalho
A investigação foi conduzida por pesquisadores do Instituto de Astrofísica de La Plata (Argentina), da International Centre for Relativistic Astrophysics Network e do Instituto Nacional de Astrofísica (Itália), do Relativity and Gravitation Research Group (Colômbia) e do Instituto de Física da Universidade de Colônia (Alemanha).
O que o estudo propõe
Os autores sugerem que um tipo específico de matéria escura composta por férmions — partículas subatômicas leves — formaria uma estrutura única: um núcleo compacto e muito massivo circundado por um halo difuso, funcionando como um único objeto contínuo. Segundo a equipe, esse modelo é capaz de reproduzir:
- As órbitas das estrelas do grupo S, que chegam a milhares de quilômetros por segundo nas proximidades do centro galáctico;
- O movimento dos objetos empoeirados conhecidos como G-sources na mesma região;
- A curva de rotação da Via Láctea em grandes escalas, incluindo a queda kepleriana detectada pelo catálogo GAIA DR3 da Agência Espacial Europeia.
Dados que reforçam a hipótese
De acordo com o trabalho, a distribuição prevista pelo modelo fermônico apresenta um halo mais compacto que as distribuições tradicionais de Matéria Escura Fria (CDM). Essa diferença permitiria explicar o abrandamento da rotação observado longe do centro da galáxia.
Resultados anteriores compatíveis
Um estudo de 2024, liderado por Pelle e colaboradores e também publicado na mesma revista, mostrou que quando um disco de acreção ilumina esses núcleos densos de matéria escura, surge uma região escura rodeada por um anel luminoso — imagem semelhante à obtida pelo Telescópio do Horizonte de Eventos (EHT) para Sgr A*.

Imagem: Internet
Declarações dos autores
“É a primeira vez que um modelo de matéria escura conecta escalas tão distintas, desde órbitas estelares centrais até a curva de rotação da galáxia”, destacou o coautor Dr. Carlos Argüelles. A principal autora, Valentina Crespi, acrescentou que o núcleo denso de matéria escura “pode imitar a sombra observada porque curva a luz de forma intensa, criando um centro escuro cercado por um anel brilhante”.
Próximos passos
O grupo comparou estatisticamente o novo modelo ao cenário com buraco negro e concluiu que, embora os dados atuais não sejam decisivos para as estrelas mais internas, a hipótese fermônica oferece uma descrição unificada do centro galáctico e da periferia. Observações futuras, como as medidas de alta precisão do interferômetro GRAVITY no Very Large Telescope, além da busca por anéis de fótons — presentes em buracos negros e ausentes no núcleo de matéria escura — deverão testar as previsões.
Se confirmada, a proposta pode alterar a compreensão sobre a natureza do objeto supermassivo situado no coração da Via Láctea.
Com informações de Nanowerk







