São Paulo, 27 de fevereiro de 2026 – A Ultrahuman apresentou nesta sexta-feira (27) o Ring Pro, terceira geração de seu anel inteligente, com promessa de até 15 dias de autonomia e novo design criado para contornar a disputa de patentes com a finlandesa Oura.
Com preço de US$ 479, o dispositivo já pode ser encomendado em todo o mundo, exceto nos Estados Unidos, e as entregas começam em março. A suspensão temporária das vendas no mercado norte-americano decorre de decisão da Comissão de Comércio Internacional dos EUA (ITC), que em outubro de 2025 deu ganho de causa à Oura e barrou a importação de novos estoques da startup indiana.
Segundo o cofundador e presidente-executivo Mohit Kumar, o Ring Pro foi redesenhado para evitar o conflito de propriedade intelectual e já foi submetido à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) para liberação. Antes da proibição, o país respondia por cerca de 45% dos 700 mil usuários ativos diários da plataforma.
Novidades de hardware e software
Além da bateria que supera em até três vezes a do Ring Air (4 a 6 dias), o novo modelo traz arquitetura de leitura cardíaca revisada, processador dual-core para maior precisão e capacidade de armazenar 250 dias de dados. O peso aumentou entre 5% e 6% em relação ao antecessor, lançado em julho de 2023 por US$ 349.
Para suporte no dia a dia, a empresa criou o Pro Charger. O carregador portátil funciona por até 45 dias, aceita padrão Qi e permite atualizações e diagnósticos rápidos por conexão direta ao estojo.
Paralelamente ao anel, a Ultrahuman anunciou o Jade, sistema de “bio-inteligência” em tempo real que interpreta métricas de saúde coletadas por todos os dispositivos da companhia e sugere ações imediatas ao usuário. O recurso estará disponível sem custo adicional para quem já utiliza qualquer versão do anel.
Impacto financeiro e estratégias
Mesmo com o revés nos EUA, a Ultrahuman opera hoje com receita anualizada de aproximadamente US$ 150 milhões. No exercício encerrado em março de 2025, o faturamento operacional foi de US$ 64 milhões. A empresa segue lucrativa, mas prevê pressão nas margens por conta de tarifas, custos judiciais e do redesenho do produto.

Imagem: Internet
Assinaturas – que incluem programas como o coaching PowerPlugs, os exames metabólicos Blood Vision, o sistema doméstico Ultrahuman Home e sensores de glicose contínua – representam 16% da receita, enquanto o Blood Vision sozinho responde por 5% a 6%. Mulheres correspondem hoje a 68% da base de usuários, contra 65% um ano antes.
Cenário de mercado
Dados da Counterpoint Research indicam que os embarques globais de anéis inteligentes cresceram quase 80% em 2025; a Oura detém mais de dois terços desse mercado, com a Ultrahuman na segunda posição. Levantamento da IDC mostra avanço de 30% nas remessas do terceiro trimestre de 2025, chegando a quase 1 milhão de unidades, das quais a companhia indiana abocanhou cerca de 25%.
Fundada em 2019, a Ultrahuman já captou US$ 55 milhões de investidores como Alpha Wave Incubation, Blume Ventures, Steadview Capital e Nexus Venture Partners. A empresa está ampliando sua capacidade produtiva para atender à demanda esperada pelo Ring Pro, com destaque para mercados como Reino Unido, Canadá, Austrália e Índia, que hoje responde por 8% a 9% do faturamento.
Com informações de TechCrunch







