Startups atraem quase US$ 300 milhões para levar transformadores de estado sólido à rede elétrica

Uma nova leva de investimentos reforça a aposta de que os transformadores de estado sólido serão peça-chave na modernização da infraestrutura elétrica. Somente nos últimos meses, três jovens empresas somaram US$ 280 milhões em rodadas de captação para ampliar a produção da tecnologia, vista como evolução dos tradicionais equipamentos de cobre e aço que compõem a maior parte da rede mundial.

Na semana em curso, a DG Matrix anunciou um Series A de US$ 60 milhões, enquanto a Heron Power fechou um Series B de US$ 140 milhões. Em novembro, a Amperesand já havia levantado US$ 80 milhões voltados ao mercado de data centers.

Do “caixa preta” ao roteador de energia

Transformadores convencionais, baseados em bobinas de cobre e núcleos de ferro, são confiáveis e eficientes, mas atuam de forma passiva e executam apenas uma função por unidade. “Um transformador antigo de aço, cobre e óleo não tem monitoramento nem controle”, disse Drew Baglino, fundador e CEO da Heron Power.

Os modelos de estado sólido substituem as bobinas por semicondutores — entre eles carbeto de silício e nitreto de gálio — capazes de converter corrente alternada em contínua (e vice-versa) em diferentes níveis de tensão. Segundo Subhashish Bhattacharya, cofundador e diretor de tecnologia da DG Matrix, o equipamento passa a funcionar “como um roteador de internet”, encaminhando eletricidade de várias fontes, inclusive renováveis e baterias, para múltiplas cargas.

Primeiro alvo: data centers

Com milhares de transformadores instalados, os Estados Unidos contam com uma frota cuja idade média ultrapassa três décadas, de acordo com o National Laboratory of the Rockies. A pressão por energia maior e mais estável, puxada por data centers, carregadores de veículos elétricos e sistemas de armazenamento, deve dobrar o volume de eletricidade que passa pelos transformadores até 2050.

Nesse cenário, data centers despontam como o principal mercado inicial. A DG Matrix afirma que sua linha Interport consegue substituir vários aparelhos em uma única caixa, reduzindo entre 60 % e 70 % o custo somado dos equipamentos eliminados. Já o Heron Link, da Heron Power, ocupa 70 % menos espaço que as soluções convencionais e garante 30 segundos de energia às prateleiras de servidores enquanto os geradores de reserva entram em operação. Em usinas solares, o mesmo sistema pode exercer o papel de inversor e transformador pelo mesmo preço de um único dispositivo tradicional.

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Imagem: Getty

Do preço ao potencial de ganho

Apesar das vantagens funcionais, os transformadores de estado sólido ainda custam mais do que os modelos de núcleo de ferro, o que dificulta sua adoção imediata em subestações de grande porte. Para aplicações que exigem múltiplos equipamentos — como hubs de recarga rápida de veículos elétricos e grandes centros de dados —, a economia de espaço e a substituição de componentes compensam o prêmio inicial.

No longo prazo, defensores da tecnologia veem oportunidade de reduzir gastos com transmissão e distribuição. Por serem programáveis, os aparelhos podem se adaptar a variações de carga, permitindo o envio de mais quilowatts-hora pelos mesmos cabos e postes sem a necessidade de construir novas linhas.

Com informações de TechCrunch

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