Um grupo de pesquisadores da Harbin Institute of Technology apresentou uma pele eletrônica flexível capaz de reconhecer formato e material de objetos antes mesmo do toque, replicando a eletrorecepção natural dos tubarões. O trabalho foi publicado em 22 de fevereiro de 2026 na revista Advanced Materials.
Como funciona
O dispositivo combina dois modos de percepção:
- Sensoriamento sem contato – baseia-se na interação eletrostática entre uma camada interna carregada e a eletricidade estática presente nos objetos, permitindo detecção a até 24 cm de distância.
- Sensoriamento por contato – utiliza o efeito triboelétrico para distinguir materiais quando a superfície robótica toca o alvo.
Estrutura em três camadas
A pele eletrônica reúne:
- Uma membrana de ePTFE carregada por corona a até 8 kV;
- Encapsulamento em silicone Ecoflex, responsável pela flexibilidade (suporta 450 % de alongamento) e pela proteção contra umidade;
- Rede externa de nanofios de prata, eletrodo com resistência de 12,34 Ω/□.
Desempenho destacado
Instalada em uma mão robótica e acoplada a redes neurais LSTM, a pele identificou cinco formas geométricas com 100 % de acerto e diferenciou sete materiais – alumínio, cobre, poliimida, náilon, acrílico, papel e pele humana – com 97,35 % de precisão.
A potência do sinal sem contato saltou de menos de 10 V para cerca de 80 V quando a camada de ePTFE foi polarizada a 2 kV. Com maiores tensões e aumento da área do sensor, a equipe registrou sinais de 1 V mesmo a 24 cm de separação, distância superior à alcançada por abordagens triboelétricas ou iontrônicas anteriores.

Imagem: Nanowerk https
Segundo os autores, a tecnologia pode reduzir a dependência de sistemas de visão em robótica, beneficiando aplicações em automação, saúde e interação homem-máquina.
Com informações de Nanowerk







