27 de fevereiro de 2026 – Um estudo da Universidade de Illinois Urbana-Champaign indica que partículas de poliestireno em escala nanométrica podem modificar a forma como Salmonella enterica reage em ambientes associados à cadeia alimentar, elevando o potencial de risco para consumidores.
A equipe liderada pelo professor associado Pratik Banerjee, do Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição Humana, avaliou a interação entre a bactéria – frequente em carnes, aves e produtos prontos para consumo – e nanoplásticos gerados pela degradação de embalagens. Segundo o grupo, amostras de carne moída de peru adquiridas em supermercados apresentaram presença regular de Salmonella, cenário que motivou a investigação sobre o contato do patógeno com polímeros plásticos.
Mais genes de virulência e biofilme espesso
Resultados publicados no Journal of Hazardous Materials mostram que, logo após o primeiro contato, a bactéria aumentou a expressão de genes ligados à virulência e formou biofilmes mais espessos – camadas protetoras que favorecem sua sobrevivência em superfícies como pias e tábuas de corte.
Mudança de estratégia ao longo do tempo
Conforme a pesquisa, a exposição prolongada reduziu a resposta de estresse da Salmonella. “Inicialmente, ela adota um modo ofensivo; depois, perde energia e migra para uma postura defensiva, permanecendo no ambiente por mais tempo. Se a concentração de nanoplásticos voltar a subir, o ciclo ofensivo recomeça”, explicou a doutoranda Jayita De, autora principal do trabalho.
Possível efeito na resistência a antibióticos
Outra preocupação levantada pelo grupo é o potencial dos nanoplásticos em estimular a resistência antimicrobiana. Banerjee afirmou que o estresse fisiológico causado pelas partículas pode desencadear um processo de cross-resistance, levando a bactéria a expressar genes de resistência mesmo sem contato direto com medicamentos.

Imagem: Internet
Apesar dos achados, os pesquisadores ressaltam que as embalagens plásticas ajudam a reduzir desperdício e custos dos alimentos. Novas investigações serão necessárias para determinar a real extensão dos riscos antes de qualquer recomendação de mudança de políticas.
Com informações de Nanowerk






