Pesquisadores da Universidade de Innsbruck, com apoio do professor Lutz Schweikhard, do Instituto de Física da Universidade de Greifswald, conseguiram armazenar nanogotas de hélio eletricamente carregadas em uma armadilha de íons durante até 60 segundos — período 10 000 vezes maior que o obtido anteriormente. O resultado, detalhado na revista Physical Review Letters, foi divulgado em 25 de fevereiro de 2026.
Nanogotas de hélio são aglomerados ultrafrios que reproduzem condições semelhantes às do espaço. Por atuarem como “microcriolaboratórios”, elas permitem analisar átomos e moléculas em ambiente extremamente frio. Até agora, os experimentos contavam com apenas alguns milissegundos, intervalo em que as gotas viajavam da fonte até o detector.
O avanço foi possível graças a um novo tipo de armadilha de íons que mantém as gotas isoladas a vácuo por um minuto inteiro. A equipe do Departamento de Física de Íons e Física Aplicada de Innsbruck contou com a experiência de Schweikhard em tecnologias de confinamento, desenvolvida ao longo de décadas em medições de núcleos atômicos exóticos no CERN e em estudos de clusters atômicos em Greifswald.
“O prolongamento do tempo de armazenamento representa um grande passo para investigações mais precisas, com impacto que vai além da física”, afirmou Matthias Veternik, primeiro autor do artigo.
Para demonstrar a utilidade do método, os cientistas introduziram moléculas de água nas nanogotas e monitoraram a absorção de radiação térmica proveniente do equipamento à temperatura ambiente. Segundo a pesquisadora Elisabeth Gruber, as medições evidenciam o potencial da técnica para análises detalhadas de processos internos.

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O próximo objetivo é instalar cilindros de detecção na armadilha para determinar massa, carga e proporções das gotas, abrindo novas possibilidades em nanocalorimetria.
Com informações de Nanowerk







