Executivos da Meta acompanharam ano a ano o crescimento do tempo que usuários passam no Instagram, enquanto estabeleciam metas voltadas ao público adolescente, segundo documentos apresentados no julgamento K.G.M. v. Platforms et al., em curso na Suprema Corte do Condado de Los Angeles.
Tempo médio de uso em alta
Papéis internos revelados durante o depoimento do CEO Mark Zuckerberg, em fevereiro, mostram que o tempo diário médio no aplicativo subiu de 40 minutos em 2023 para 46 minutos em 2026. Advogados da parte autora sustentam que a companhia buscava deliberadamente ampliar esse indicador, mesmo ciente da presença de menores na plataforma.
Foco declarado em teens e tweens
Mensagens internas citadas na audiência incluem e-mails de um ex-gerente de produto dizendo que o “objetivo geral da empresa é o tempo total gasto por adolescentes” e que Zuckerberg teria definido os teens como “prioridade número um” no primeiro semestre de 2017. Um estudo de dezembro de 2018 destacava os pré-adolescentes (tweens) como grupo de maior retenção nos Estados Unidos.
4 milhões de usuários abaixo de 13 anos
Outro documento de 2015 indicava cerca de 4 milhões de crianças com menos de 13 anos no Instagram, número equivalente a 30% dos norte-americanos de 10 a 12 anos. Questionado sobre ter declarado ao Congresso, em 2024, que menores de 13 anos não eram permitidos, Zuckerberg respondeu que relatou a política oficial da empresa e que contas identificadas eram removidas.
Regras etárias “inexequíveis”
Um e-mail do então consultor Nick Clegg, que deixou a empresa no ano passado, classificava como “basicamente inexequível” a exigência de idade mínima. Os advogados lembraram que o Instagram só passou a exigir data de nascimento de usuários já cadastrados em agosto de 2021; a Meta respondeu que a pergunta já era feita no ato do cadastro desde 2019 para novos perfis.
Processo sobre saúde mental
A ação foi movida por Kaley, de 19 anos, identificada pelas iniciais K.G.M., que alega ter desenvolvido dependência, depressão e pensamentos suicidas após começar a usar redes sociais ainda criança. Snap e TikTok fecharam acordo antes do início do julgamento, mas Meta e YouTube permanecem como rés.

Imagem: Internet
O júri decidirá se o Instagram contribuiu de forma substancial para os problemas de saúde mental da autora. A Meta defende que Kaley enfrentava desafios significativos antes de acessar redes sociais.
Documentos recentes citados no processo indicam que a Meta pretende tornar o Instagram “o maior destino para adolescentes por usuários ativos mensais” nos Estados Unidos e globalmente ainda este ano.
O julgamento continua sem previsão de encerramento.
Com informações de TechCrunch







