Indústria chinesa de interface cérebro-computador avança com apoio estatal e novas startups

Pequim, 22 de fevereiro de 2026 – A China acelera a transição das interfaces cérebro-computador (BCIs) do laboratório para a escala comercial, impulsionada por políticas públicas, expansão de ensaios clínicos e maior interesse de investidores.

O engenheiro Phoenix Peng, cofundador da fabricante de implantes NeuroXess e fundador da Gestala, que desenvolve BCIs por ultrassom não invasivas, afirma que províncias como Sichuan, Hubei e Zhejiang já definiram preços de serviços médicos para essas tecnologias, facilitando sua inclusão no sistema nacional de seguro-saúde.

Mercado focado em saúde nos próximos anos

Segundo Peng, nos próximos três a cinco anos o uso de BCIs permanecerá concentrado na área médica, alcançando faturamento de vários bilhões de dólares à medida que a cobertura de seguros se amplia.

Roteiro nacional até 2030

Em agosto de 2025, o Ministério da Indústria e outros seis órgãos divulgaram um plano que estabelece metas técnicas até 2027, padronização do setor e cadeia de suprimentos completa até 2030, com o objetivo de formar empresas chinesas competitivas globalmente.

Durante a Expo de BCI e Interação Humano-Computador, realizada em Shenzhen em dezembro de 2025, o governo anunciou um fundo de 11,6 bilhões de yuans (US$ 165 milhões) para apoiar companhias desde a pesquisa até a comercialização.

Quatro pilares do avanço chinês

Peng resume o ritmo acelerado a quatro fatores: apoio político coordenado, vasta base clínica com custos menores, cadeia industrial madura – que engloba semicondutores, IA e hardware médico – e fluxo de capital de fundos estatais e privados.

Ensaios clínicos e tecnologias em teste

Pesquisadores concluíram o primeiro ensaio chinês – segundo no mundo – com implante BCI totalmente sem fio, permitindo que um paciente paralítico controlasse dispositivos sem hardware externo, informou a CGTN. Ao todo, mais de 50 testes com implantes flexíveis foram finalizados até meados de 2025, enquanto novas linhas de pesquisa buscam decodificação e codificação de todo o cérebro.

Rodadas de investimento recentes

  • StairMed Technology captou US$ 48 milhões (350 milhões de yuans) em rodada série B, em fevereiro de 2025.
  • BrainCo, que desenvolve BCIs não invasivas e próteses biônicas, protocolou pedido de IPO em Hong Kong após levantar US$ 287 milhões (2 bilhões de yuans) no início de 2025.
  • A Gestala, lançada em janeiro, negocia rodada-anjo para financiar seu primeiro produto, previsto para o terceiro trimestre; testes preliminares indicam redução de 50% na dor por até duas semanas após uma sessão.

Panorama do setor

Estimativas de mercado apontam que a receita chinesa com BCIs deve superar US$ 530 milhões (3,8 bilhões de yuans) em 2025, ante 3,2 bilhões de yuans em 2024, podendo chegar a 120 bilhões de yuans em 2040. Entre as companhias mais ativas estão NeuroXess, Neuracle, NeuralMatrix, BrainCo, Bo Rui Kang Tech, Aoyi Tech, Brainland Tech e Zhiran Medical.

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Imagem: Getty

Caminhos invasivo e não invasivo

As BCIs seguem dois rumos principais: sistemas invasivos eletrofisiológicos, como os de NeuroXess e Neuralink, que exigem cirurgia para obter sinais neuronais precisos; e dispositivos não invasivos, a exemplo dos headsets de EEG de BrainCo, que oferecem mais segurança e facilidade de uso, embora com menor resolução.

Métodos emergentes – ultrassom, magnetoencefalografia, estimulação magnética transcraniana, técnicas ópticas e soluções híbridas – ampliam as possibilidades de leitura e estimulação cerebral.

Regulação e ética

Nos próximos cinco anos, especialistas preveem que a regulamentação chinesa se aproxime de padrões internacionais definidos por IEC, ISO e FDA, com maior fiscalização sobre dispositivos invasivos e sobre os dados gerados, além de processos de aprovação mais simples para soluções não invasivas. O governo também planeja reforçar o consentimento informado e criar normas unificadas para avaliação clínica.

Com investimentos crescentes e padronização em andamento, startups chinesas intensificam a disputa com líderes norte-americanos como Neuralink, Synchron e Paradromics.

Com informações de TechCrunch

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