Darren Mowry, vice-presidente responsável pela organização global de startups da Google — que abrange Cloud, DeepMind e Alphabet — afirmou que empresas focadas em dois modelos de negócio populares da atual onda de inteligência artificial podem não resistir ao mercado. A declaração foi feita nesta semana durante o podcast Equity, do TechCrunch, publicado em 21 de fevereiro de 2026.
Modelos sob pressão
Segundo Mowry, as startups conhecidas como LLM wrappers — que adicionam apenas uma camada de interface ou experiência de usuário sobre grandes modelos de linguagem preexistentes, como Claude, GPT ou Gemini — enfrentam ceticismo crescente. “Se o modelo faz todo o trabalho e você basicamente coloca sua marca por cima, o setor já não tem paciência para isso”, disse.
Para o executivo, o mercado exige “barreiras profundas e amplas”, seja por diferenciação horizontal ou por foco em um nicho vertical específico. Ele citou como exemplos de wrappers com “fosso” mais robusto o Cursor, assistente de programação alimentado por GPT, e o Harvey AI, voltado para o setor jurídico.
Outro modelo em xeque são os agregadores de IA, que reúnem diversos LLMs em uma única interface ou API e oferecem camadas de orquestração, monitoramento ou governança. Plataformas como o buscador Perplexity e o OpenRouter, que disponibiliza múltiplos modelos via API, ilustram essa categoria. “De modo geral, agregadores não estão crescendo porque os usuários querem propriedade intelectual própria que escolha o modelo certo para cada situação, e não apenas um intermediário”, afirmou Mowry.
Lição da era da nuvem
O vice-presidente comparou o cenário atual ao início da computação em nuvem, no fim dos anos 2000, quando surgiram revendedores de infraestrutura da AWS. Com o tempo, a Amazon passou a oferecer ferramentas empresariais nativas, pressionando revendedores que não agregavam valor além da intermediação. Apenas empresas que ofereceram serviços adicionais — como segurança, migração ou consultoria DevOps — continuaram relevantes. Mowry acredita que agregadores de IA podem enfrentar pressão similar, já que provedores de modelos incorporam funções corporativas diretamente em suas ofertas.
Áreas com potencial
Apesar do alerta, o executivo vê espaço para crescimento em plataformas para desenvolvedores e no chamado “vibe coding”. Ele lembrou que 2025 foi recorde para companhias como Replit, Lovable e Cursor, todas clientes do Google Cloud, que atraíram investimentos robustos e forte adesão de usuários.

Imagem: Internet
Mowry também espera expansão de soluções diretas ao consumidor, apontando a possibilidade de estudantes de cinema e TV utilizarem o gerador de vídeo Veo, da Google, para dar vida a roteiros. Além da IA, destacou o momento favorável para biotecnologia e climate tech, impulsionados pelo volume de dados disponível e pela atenção de investidores de risco.
Mesmo com a proliferação de novas startups de IA surgidas nos últimos anos, Mowry reforça que, sem diferenciação tecnológica clara, modelos de negócio baseados apenas em “embrulhar” ou agregar LLMs podem não encontrar espaço sustentável no mercado.
Com informações de TechCrunch







