Uma forte demanda por memória RAM em servidores e computadores dedicados a inteligência artificial está provocando falta do componente e elevando seus preços. De acordo com a consultoria IDC, esse cenário levará a uma retração de 12,9% nos embarques globais de smartphones em 2026, a mais acentuada desde 2013.
No ano passado, os fabricantes entregaram 1,26 bilhão de aparelhos. A previsão da IDC é que esse volume caia para 1,12 bilhão neste ano.
“A crise de memória não será apenas um revés temporário; ela representa uma redefinição estrutural de todo o mercado, alterando de forma permanente o TAM (mercado total endereçável), o quadro de fornecedores e o mix de produtos”, afirmou Nabila Popal, diretora de pesquisa do Worldwide Quarterly Mobile Phone Tracker da IDC.
Aumento de preços
Com a escassez, o preço médio de venda (ASP) dos smartphones deve subir 14%, alcançando o recorde de US$ 523 em 2026. Segundo Popal, aparelhos abaixo de US$ 100 podem se tornar inviáveis, o que deve afetar marcas que atuam nesse segmento.
Impacto regional
Entre os mercados mais atingidos, Oriente Médio e África devem registrar queda superior a 20% nos envios. Na China, a redução prevista é de 10,5%, enquanto a região Ásia-Pacífico (excluindo o Japão) deve encolher 13,1%.

Imagem: Internet
Consolidação e médio prazo
A IDC projeta consolidação no setor, com empresas menores deixando o mercado e fabricantes de aparelhos de entrada enfrentando forte recuo. A expectativa é de que os preços da memória só se estabilizem em meados de 2027.
Em 2025, a consultoria Counterpoint já estimava retração nos embarques de smartphones, mas apontava queda bem menor, de 2,6%. No início deste ano, o cofundador e CEO da Nothing, Carl Pei, alertou que, diante do aumento dos custos de memória, as marcas terão de escolher entre elevar preços em até 30% ou reduzir especificações, o que pode encolher os segmentos de entrada e intermediário em mais de 20%.
Com informações de TechCrunch







