24 de fevereiro de 2026 — Um estudo internacional liderado por Dongchen Qi, da Escola de Química e Física da Queensland University of Technology (QUT), e por Xiao Renshaw Wang, da Nanyang Technological University de Cingapura, detalha como imperfeições microscópicas e vibrações internas de um material topológico podem controlar o chamado efeito Hall não linear (NLHE, na sigla em inglês).
Os resultados foram publicados na revista Newton sob o título “Unraveling scattering contributions to the nonlinear Hall effect in topological insulator Bi2Te3”. A equipe mostrou que o NLHE possibilita a conversão direta de sinais elétricos alternados, comuns em fontes de energia sem fio ou ambientais, em corrente contínua utilizável, eliminando a necessidade de diodos tradicionais ou componentes volumosos.
Fenômeno quântico sem campo magnético
No efeito Hall clássico, é preciso um campo magnético para gerar tensão perpendicular à corrente. Já no NLHE, essa tensão surge apenas pelo fluxo de corrente alternada, dispensando o campo magnético, explicou Qi. O fenômeno abre caminho para sensores e chips que funcionem sem baterias, captando energia do ambiente.
Estabilidade até a temperatura ambiente
Os pesquisadores analisaram o isolante topológico Bi2Te3, conhecido por propriedades eletrônicas incomuns, e constataram que o NLHE permanece estável até a temperatura ambiente. Além disso, identificaram que a direção e a intensidade da tensão gerada variam conforme a temperatura.
Em condições de baixas temperaturas, pequenas imperfeições do material dominam o efeito. Conforme o aquecimento, vibrações naturais da rede cristalina assumem o controle, invertendo o sinal elétrico. “Quando compreendemos o que ocorre dentro do material, podemos projetar dispositivos para explorar isso”, afirmou Qi.

Imagem: Internet
Aplicações potenciais
Segundo os autores, o domínio desse efeito quântico pode sustentar futuras aplicações que vão de sensores autossuficientes em energia e tecnologias vestíveis a componentes ultrarrápidos para redes sem fio de próxima geração.
Com informações de Nanowerk






