A busca por novos modelos de receita e a proliferação de ferramentas de inteligência artificial dominaram o debate sobre o futuro da economia dos criadores nesta semana. O tema ganhou força após o youtuber Jimmy Donaldson, conhecido como MrBeast, anunciar a compra da fintech Step e, paralelamente, estúdios de Hollywood enviarem cartas de “cessar e desistir” à ByteDance por causa do lançamento do modelo de geração de vídeo Seedance 2.0.
Expansão além da publicidade
Em episódio recente do podcast Equity, do TechCrunch, os jornalistas Kirsten Korosec, Rebecca Bellan e Anthony Ha analisaram a tendência de diversificação de receitas entre os maiores influenciadores digitais. O exemplo mais citado foi o próprio MrBeast, cujo portfólio inclui chocolates e outros produtos alimentícios que, segundo o programa, renderam centenas de milhões de dólares e se mostraram lucrativos em 2024, enquanto a divisão de mídia operou no vermelho.
“Se nem o MrBeast consegue lucrar apenas com mídia, quem conseguirá?”, questionou Korosec, indicando que a receita publicitária parece ter atingido o limite de saturação. A comentarista ponderou que nem todos os criadores conseguirão lançar produtos próprios, o que pode reduzir o número de perfis financeiramente sustentáveis caso não surja um novo formato ou tecnologia que reabra espaço para monetização.
Pressão da IA sobre o mercado
A discussão evoluiu para o impacto da inteligência artificial na oferta de conteúdo. O modelo Seedance 2.0, da ByteDance, foi lançado inicialmente para usuários na China, mas rapidamente vazaram vídeos — como uma simulação de Brad Pitt lutando contra Tom Cruise — que viralizaram globalmente. A reação veio de estúdios como Netflix, que acusaram a companhia de permitir violações de propriedade intelectual. Depois de alguns dias de silêncio, a ByteDance prometeu implementar “maior controle” sobre o uso de imagens protegidas.
Rebecca Bellan observou que ferramentas de vídeo gerado por IA podem inundar as plataformas com materiais de “baixo esforço”, mas também democratizar a produção para pequenos negócios sem grandes orçamentos. “Se uma barbearia quiser fazer um anúncio simples, essas soluções oferecem meios antes inacessíveis”, disse.
Autenticidade como diferencial
Para Anthony Ha, o excesso de conteúdo criado por IA tende a valorizar a presença “humana e autêntica” dos grandes nomes. Ele citou a curva de adoção inicial do gerador de vídeo Sora, da OpenAI, que teria perdido fôlego após o pico de curiosidade: “Há um vazio quando se percebe que não existe uma pessoa real do outro lado”.

Imagem: Getty
Os participantes concordaram que a mesma avalanche de vídeos sintéticos que dificulta a entrada de novos criadores também complica a manutenção de grandes audiências. Nesse cenário, iniciativas como a aquisição da Step por MrBeast ilustram a busca por receitas alternativas antes que a maré de “slop” — termo usado no podcast para descrever conteúdo de baixa qualidade — torne ainda mais instável o negócio baseado apenas em visualizações.
No curto prazo, a indústria aguarda os próximos movimentos de plataformas e autoridades diante das disputas de direitos autorais e da rápida evolução dos modelos generativos. Enquanto isso, criadores de todas as dimensões correm para diversificar fontes de renda e reforçar a conexão direta com o público, numa tentativa de se manterem relevantes em meio a uma produção cada vez mais automatizada.
Com informações de TechCrunch







