Desordem local altera estados eletrônicos de material quântico, indica pesquisa

Uma equipe liderada pela Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis) mostrou que pequenas variações na química de superfície do semimetal magnético Co3Sn2S2 influenciam diretamente seus estados eletrônicos. O estudo, publicado em 25 de fevereiro de 2026 na revista Physical Review B, utilizou o feixe MAESTRO 7.0.2 do Advanced Light Source (ALS), no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, para mapear essas mudanças em escala micrométrica.

O Co3Sn2S2 pertence à classe dos Weyl semimetals, caracterizados por estruturas de superfície conhecidas como Fermi arcs. A forma desses arcos depende de qual átomo—enxofre (S) ou estanho (Sn)—termina a superfície do cristal. Variantes ideais dos arcos podem oferecer transporte de carga superior, mas sua qualidade varia conforme a terminação atômica.

Duas técnicas complementares foram empregadas sem deslocar a amostra: a espectroscopia de fotoemissão angular resolvida (ARPES) revela como os elétrons se distribuem em energia e momento, enquanto a espectroscopia de fotoelétrons por raios X (XPS) fornece a composição química local. Ambas as medições, realizadas em pontos de até algumas dezenas de micrômetros, permitiram aos pesquisadores correlacionar química e eletrônica.

Ferramentas de inteligência artificial e aprendizado de máquina analisaram os dados e detectaram não apenas as regiões já conhecidas de terminação pura em S ou Sn, mas também áreas intermediárias inéditas. Essas novas zonas exibiram estruturas eletrônicas distintas resultantes de desordem local na superfície.

Um mapa espectral de uma amostra de 3,5 × 7,1 mm evidenciou três tipos de regiões: superfícies dominadas por S, por Sn e superfícies intermediárias. Segundo os autores, os defeitos em escala nanométrica afetam fortemente os elétrons de núcleo capturados pela XPS, permitindo que as variações sejam detectadas em escala mesoscópica.

Desordem local altera estados eletrônicos de material quântico, indica pesquisa - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Os resultados sugerem que a desordem controlada pode ser usada para ajustar as propriedades eletrônicas de materiais topológicos, potencialmente ampliando aplicações em spintrônica e catálise. A equipe ainda destaca que a futura atualização do ALS (ALS-U) deverá reduzir ainda mais o diâmetro do feixe em experimentos de ARPES, possibilitando investigar detalhes espaciais menores em Co3Sn2S2 e em materiais correlatos.

Com informações de Nanowerk

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email