Defeitos ocultos em isolante ultrafino de boro e nitrogênio comprometem desempenho de dispositivos

27 de fevereiro de 2026 — Uma equipe da Rice University apresentou um método para identificar falhas quase imperceptíveis em hexaboronitrito (hBN), isolante bidimensional amplamente utilizado na fabricação de transistores avançados, fotodetectores e dispositivos quânticos.

Coordenados pela professora assistente Hae Yeon Lee, do Departamento de Ciência dos Materiais e Nanoengenharia, os pesquisadores demonstraram que desalinhamentos longos e estreitos — chamados de falhas de empilhamento — podem aprisionar cargas elétricas e reduzir a resistência dielétrica do material, provocando falhas em tensões mais baixas que o esperado.

Como o estudo foi conduzido

Os cientistas removeram finas lâminas de hBN de um cristal bruto usando fita adesiva e as transferiram para lâminas de silício com dióxido de silício. A equipe suspeitava que essa manipulação rotineira causasse a formação de falhas de empilhamento e decidiu comparar as amostras antes e depois do processo.

Microscópios ópticos e de força atômica não revelaram imperfeições. Porém, ao empregar espectroscopia de catodoluminescência — técnica que varre o material com um feixe de elétrons e capta a luz emitida —, surgiram linhas brilhantes correspondentes às falhas, invisíveis por métodos convencionais.

Impacto das falhas

As irregularidades apareceram com maior frequência em lâminas mais espessas. Além disso, o rearranjo atômico criou bolsões de carga que facilitam vazamentos elétricos, enfraquecendo o isolante em pontos específicos. “Dois dispositivos produzidos da mesma forma podem apresentar comportamentos distintos se um deles contiver essas linhas de falha”, explicou Lee.

Ferramenta de diagnóstico

Combinando microscopia eletrônica, mapeamento por catodoluminescência e medições de força, o grupo desenvolveu um protocolo prático para detectar esses defeitos antes que prejudiquem o desempenho de componentes eletrônicos. Segundo os autores, a abordagem pode ser aplicada a outros materiais lamelares usados em heteroestruturas 2D.

O trabalho foi publicado na revista Nano Letters.

Com informações de Nanowerk

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email