Bactérias formam “bunkers” que resistem a antibióticos com redes de filamentos

25 de fevereiro de 2026 – Turku, Finlândia. Pesquisadores do MediCity Research Laboratory, da Universidade de Turku, descreveram em escala atômica como patógenos comuns em hospitais, como Acinetobacter baumannii e Pseudomonas aeruginosa, constroem biofilmes tridimensionais capazes de suportar ataques de antibióticos.

O estudo, publicado na revista Nature Communications sob o título “Antiparallel stacking of Csu pili drives Acinetobacter baumannii 3D biofilm assembly”, revela que essas bactérias utilizam filamentos adesivos conhecidos como pili Csu para se ancorar a superfícies e entrelaçar células vizinhas.

Como o biofilme ganha resistência

A equipe liderada pelo pesquisador sênior Anton Zavialov observou, por microscopia eletrônica de ponta, que pili provenientes de bactérias adjacentes se conectam de forma antiparalela, formando lâminas planas. Essas lâminas se unem rapidamente, dando origem a extensas redes que envolvem centenas de células.

Segundo Zavialov, “os pili Csu se auto-organizam em redes complexas e amplas, unindo as bactérias e protegendo-as do ambiente hostil”.

Os cientistas identificaram ainda pelo menos dois tipos de estruturas planas formadas pelos pili e resolveram suas configurações em quase resolução atômica. De acordo com o doutorando Henri Malmi, primeiro autor do artigo, a equipe combinou abordagens manuais e ferramentas computacionais para reconstruir as grandes montagens tridimensionais observadas.

Estrutura semelhante a concreto armado

Após a formação da rede de filamentos, o conjunto é coberto por uma matriz menos definida composta de polissacarídeos e DNA secretados pelas próprias bactérias. Zavialov compara o resultado a um concreto armado: “os pili funcionam como vergalhões de aço, enquanto polissacarídeos e DNA agem como o concreto, criando um verdadeiro bunker para as bactérias”.

Próximos passos

O grupo finlandês trabalha agora no desenvolvimento de inibidores que bloqueiem as ligações entre os pili. A expectativa é que tais compostos, usados em terapias combinadas, impeçam a montagem dos biofilmes 3D e aumentem a eficácia dos antibióticos contra infecções multirresistentes.

Com informações de Nanowerk

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email