Pesquisadores do IMDEA Networks Institute, em parceria com instituições europeias, demonstraram que sensores do Sistema de Monitoramento da Pressão dos Pneus (TPMS) instalados em veículos modernos podem permitir o rastreamento de motoristas. O estudo, conduzido ao longo de dez semanas e divulgado em 25 de fevereiro de 2026, analisou mais de seis milhões de sinais emitidos por mais de 20 000 carros.
Obrigatório em muitos países desde o fim dos anos 2000 por razões de segurança viária, o TPMS utiliza sensores em cada roda para medir a pressão e enviar alertas ao painel do veículo. Os pesquisadores constataram que esses dispositivos transmitem, em mensagens de rádio não criptografadas, um identificador único que pode ser captado por receptores simples, permitindo reconhecer o mesmo automóvel posteriormente.
Para avaliar o risco, foi montada uma rede de receptores de aproximadamente US$ 100 cada, posicionados próximos a vias e estacionamentos. O grupo capturou sinais a distâncias superiores a 50 metros, inclusive através de paredes, sem necessidade de linha de visada. Além de identificar o veículo, as leituras de pressão podem indicar o tipo de automóvel ou a presença de carga pesada.
“Nossos resultados mostram que essas transmissões podem ser usadas para mapear padrões de deslocamento”, afirmou Domenico Giustiniano, professor-pesquisador do IMDEA Networks. Métodos desenvolvidos pela equipe permitiram relacionar os sinais dos quatro pneus de cada carro, aumentando a precisão na identificação de rotas e horários habituais.

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Apesar da ameaça, normas atuais de cibersegurança automotiva não contemplam especificamente a proteção do TPMS. Alessio Scalingi, ex-doutorando do IMDEA e hoje professor assistente na UC3M, destacou a importância de incorporar criptografia e autenticação nesses sensores. Já Yago Lizarribar, que participou do estudo e agora atua na Armasuisse, reforçou o apelo para que fabricantes e reguladores fortaleçam a segurança dos sistemas veiculares.
Com informações de Nanowerk






