Quatro anos após o início da invasão em larga escala da Rússia, o ecossistema de tecnologia da Ucrânia continua ativo. Empresas de diversos setores mantém operações, contratam profissionais e, em alguns casos, alcançam o status de unicórnio mesmo com o conflito em curso.
Preply alcança valuation bilionário e amplia contratações
A edtech Preply tornou-se unicórnio no começo de 2026 e comemorou a conquista com bolo em seu escritório de Kyiv. Segundo a companhia, parte dos recursos captados na rodada mais recente será destinada à contratação de cerca de 100 engenheiros em todo o mundo. Um terço da equipe de engenharia já trabalha na Ucrânia.
Isenção do alistamento para equipes estratégicas
Para evitar que profissionais essenciais deixem suas funções rumo ao front, o governo concede a algumas empresas um status especial que as protege da mobilização militar. A healthtech Aspichi obteve essa autorização, relatou o fundador Victor Samoilenko. Criada nos Estados Unidos em 2021, a startup mudou de foco com o início da guerra e passou a oferecer o Luminify, plataforma de realidade mista voltada à saúde mental. O serviço atende unidades militares e cerca de 12 clínicas civis, ajudando soldados, veteranos, famílias enlutadas e deslocados internos a lidar com traumas.
“Minha filha comemorou vários Ano-Novos e Natais em abrigos subterrâneos; o impacto psicológico é enorme”, afirmou Samoilenko.
Infraestrutura adaptada para um inverno sob ataques
Com ataques quase diários à rede elétrica, moradores de Kyiv recorrem a baterias de alta capacidade, fogões a gasolina e geradores a diesel, apontou Natali Trubnikova, diretora de marketing da consultoria de TI Gart Solutions. Para muitos, escritórios se transformaram em refúgios aquecidos. O CEO da Preply, Kirill Bigai, disse que a sede da empresa dispõe de vários geradores, internet estável e funcionamento 24 horas por dia para qualquer colaborador.
Espaços de coworking também cumprem esse papel. O LIFT99 Kyiv Hub, fundado há seis anos e danificado por um ataque em agosto passado, reabriu dois meses atrás e já registra aumento no número de membros, informou a gestora de parcerias Lada Samarska.

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Ecossistemas regionais ganham força
Apesar de continuar como principal polo de startups, Kyiv não é o único centro tecnológico do país. Em Lviv, cidade mais próxima da fronteira com a Polônia, o antigo depósito de bondes LEM Station virou espaço criativo e atrai profissionais deslocados do leste. Mesmo com menor presença de estrangeiros, a cidade recebeu 6.450 participantes de mais de 40 países na conferência de tecnologia IT Arena 2025, que incluiu um palco dedicado a defesa e apresentou startups financiadas por fundos como 1991, Flyer One Ventures e SMRK.
Presença internacional
Empreendedores ucranianos continuam viajando para eventos fora do país. Em janeiro, durante a Techarena em Estocolmo, integrantes de uma delegação relataram cansaço causado pelo conflito, mas encerraram a conversa enumerando os unicórnios nacionais — “porque é isso que se faz, mesmo em meio à guerra”, disseram.
Com informações de TechCrunch







