Mais de 300 funcionários do Google e mais de 60 da OpenAI assinaram uma carta aberta solicitando que as duas empresas apoiem a Anthropic na recusa de conceder acesso irrestrito de suas tecnologias de inteligência artificial ao Departamento de Guerra dos Estados Unidos. O prazo final dado pelo Pentágono para que a Anthropic atenda às exigências vence na tarde desta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026.
No documento, os signatários pedem que as lideranças do Google e da OpenAI “coloquem de lado suas diferenças” e se mantenham firmes nas “linhas vermelhas” traçadas pela Anthropic: não permitir que suas IA sejam utilizadas para vigilância doméstica em massa nem para armamentos totalmente autônomos.
“Eles estão tentando dividir cada empresa com o medo de que a outra ceda. Essa estratégia só funciona se não soubermos onde cada uma se posiciona”, afirma a carta.
Até o momento, Google e OpenAI não responderam oficialmente ao apelo dos colaboradores. A TechCrunch informou ter procurado ambas para comentar o assunto.
Declarações informais, contudo, indicam simpatia à postura da Anthropic. Em entrevista à CNBC nesta sexta-feira, o CEO da OpenAI, Sam Altman, disse não acreditar que o Pentágono deva ameaçar as empresas com o uso da Lei de Produção de Defesa (DPA). Um porta-voz da OpenAI confirmou à CNN que a companhia compartilha as restrições da Anthropic quanto a armas autônomas e vigilância em massa.
O Google DeepMind também não divulgou posição institucional, mas seu cientista-chefe, Jeff Dean, declarou na rede X ser contrário à vigilância governamental em grande escala, afirmando que tal prática “viola a Quarta Emenda e inibe a liberdade de expressão”.

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De acordo com o Axios, o Departamento de Guerra já utiliza, para tarefas não classificadas, o Grok (da X), o Gemini (do Google) e o ChatGPT (da OpenAI), e negocia a aplicação dessas ferramentas em atividades sigilosas.
A Anthropic mantém parceria com o Pentágono, porém se recusa a permitir que sua IA seja empregada em vigilância interna em massa ou armamentos autônomos. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, advertiu o CEO da Anthropic, Dario Amodei, que, caso a empresa não ceda, poderá ser declarada “risco à cadeia de suprimentos” ou ter de obedecer à DPA.
Em nota divulgada na quinta-feira, Amodei classificou as duas ameaças como “intrinsecamente contraditórias” — uma qualificando a empresa como risco à segurança, a outra tratando sua tecnologia como essencial à defesa nacional — e reafirmou que a companhia “não pode, em boa consciência, atender ao pedido”.
Com informações de TechCrunch







