Engenheiros da UNSW desenvolvem grafeno de baixo custo a partir de cascas de amendoim

Engenheiros da Universidade de New South Wales (UNSW), na Austrália, apresentaram em 26 de fevereiro de 2026 um método que converte cascas de amendoim descartadas em grafeno de alta qualidade, reduzindo custos e impacto ambiental.

O trabalho, liderado pelo professor Guan Yeoh, foi publicado na revista Chemical Engineering Journal Advances e propõe transformar um resíduo agrícola abundante em um material estratégico para eletrônicos, baterias, painéis solares e outras tecnologias.

Como funciona o processo

A técnica começa com a trituração das cascas, ricas em lignina — polímero vegetal com alto teor de carbono. Em seguida, o material passa por duas etapas térmicas:

  • Aquecimento a aproximadamente 500 °C por cinco minutos, eliminando impurezas e gerando um carvão rico em carbono.
  • Flash joule heating: um pulso elétrico eleva a temperatura do carvão a cerca de 3 000 °C por alguns milissegundos, reorganizando instantaneamente os átomos em camadas únicas de grafeno.

Todo o processo leva cerca de 10 minutos e dispensa reagentes químicos usados em rotas convencionais, como o carbon black derivado de combustíveis fósseis. Cálculos da equipe indicam um custo energético de apenas US$ 1,30 para produzir um quilograma de grafeno.

Potencial de mercado

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o mundo produz anualmente cerca de 55 milhões de toneladas de amendoim, gerando grande volume de cascas normalmente descartadas ou subutilizadas. A nova rota aproveita esse resíduo, diminuindo desperdício e criando valor agregado.

Engenheiros da UNSW desenvolvem grafeno de baixo custo a partir de cascas de amendoim - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Embora as quantidades obtidas em laboratório ainda sejam pequenas, os pesquisadores estimam que a tecnologia possa ser comercializada em três a quatro anos. O grupo também pretende testar outros resíduos orgânicos com alto teor de lignina, como borras de café e cascas de banana.

Para o professor Yeoh, a combinação de menor consumo energético, ausência de reagentes tóxicos e uso de matéria-prima barata demonstra a viabilidade de uma produção de grafeno em larga escala baseada em biomassa.

Com informações de Nanowerk

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